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  • maio 24, 2017

    diário #3: sobre profissão e cobranças

    Desde que eu me entendo por gente meu sonho é fazer faculdade de jornalismo e ser, sei lá, correspondente internacional (europa, EUA, não importava. só não podia ficar no BR!). Preciso confessar que esse não é meu sonho de princesa... Já quis ser várias coisas: dançarina, caixa de mercado, vendedora de roupa, e até a moça que vende fruta com chocolate nas festas da cidade... Todas essas eram profissões que eu achava o máximo quando eu era mais nova, afinal quem não adoraria trabalhar vendendo morango coberto de chocolate podendo comer quantos quiser a hora que quiser?

    sobre profissão e o ciclo da vida
    imagem: toa heftiba
    Até professora eu já quis ser (minha mãe trabalhava em escola e eu adorava ajudar as tias a passar a folha da tarefa no mimeógrafo – alguém ainda lembra o que é isso). Por ter me alfabetizado rápido e não só por gostar de ajudar os coleguinhas como também por adorar delegar tarefas (o que hoje eu odeio!) achava que eu seria uma ótima professora.

    Também já cogitei ser atriz. Quem nunca se encantou com tudo o que vê na tv? Imagina, você ganha pra decorar um texto, falar algumas coisas, andar maquiada, de cabelo feito, bem vestido... Inclusive, sempre achei que eu poderia ser a Emília numa possível falta da Isabelle Drumond, rs. Tentei até fazer curso de teatro uma vez, na tentativa de convencer meus pais a me levarem pra fazer um teste qualquer, só que mal passei da primeira aula. Então desencanei e caí na real de que isso realmente não era pra mim.

    Quando assisti o Diabo Veste Prada pela primeira vez, aos 13, fiquei tão encantada que logo já me via trabalhando em uma revista! Queria muito ser uma Anne da vida. Vivia fantasiando com o dia em que eu iria chegar toda top produzida no salto 15 na redação, produzindo vários textos, vários ensaios etc, etc. Até porque nos filmes as coisas acontecem de forma tão "natural e rápida" que achei que na vida real seria assim também, só que não! Acho que foi daí que eu escolhi a comunicação.

    Pergunto à vocês: é normal alguém chorar por fazer algo que gosta? Pois, como já disse, sempre quis fazer comunicação, mesmo quando ainda não sabia do que se exatamente eu iria trabalhar. Porém, ultimamente, tem sido quase que uma ~tortura~ pra mim continuar meu curso. Entendo que seja comum em qualquer curso superior ter algumas matérias chatinhas e meio nada a ver com a profissão, eu só não entendo porque eu tenho me sentido cada vez menos motivada e com vontade de desistir.

    Sabe, vejo minhas amigas tão realizadas com seus cursos e até os colegas de jornalismo também assim. E eu pra trás, pensando em desistir. Tá, a minha rotina não é a mais fácil pois a faculdade é em outra cidade, só que não faço estágio o que me deixa com tempo livre. E também, a não ser que você tenha nascido em uma família de condiçõe$ muito boa$, a rotina de ninguém é fácil, todos precisamos intercalar inúmeras atividades no dia a dia. Ok. 

    Talvez meu desanimo seja por estar concluindo o 5º período e não ter tido tantas matérias específicas assim? Provável. Talvez eu esteja assim pelo cansaço acumulado? Pode ser que sim. Talvez eu esteja cobrando muito de uma fase que eu deveria estar aproveitando? Aham. Ou talvez eu esteja desanimada porque uma grande bad se instalou na minha mente nas últimas semanas e eu esteja querendo dar a louca e largar mão de tudo? Definitivamente, sim! Estou um tanto quanto perdida nessa trajetória toda. E quem é que não tá?

    Tenho perguntado a muita gente se o desgaste é só comigo. No fundo, acho que é normal, é só uma fase. Sei lá, tô com o futuro, em ser alguém na vida, nas cobranças de profissão perfeita, casa perfeita, família perfeita e vida perfeita que acabo esquecendo que eu só tenho vinte anos e não preciso (e não devo!) me cobrar tanto com essas coisas. Poxa, escolher a profissão da vida não é a tarefa fácil, assim como fazer faculdade não é. E não é de primeira que eu vou achar qual área do imenso leque da comunicação que eu quero atuar. Muito complicado isso tudo.

    Enfim... a rotina tá exaustiva e a aflição de saber que o tcc está cada vez mais perto cresce a cada dia. A gente se cobra de mais pra ser alguém na vida quando na verdade deveríamos estar aproveitando esse caminho de pedras e flores. Já pensei muitas vezes em desistir. Não tem sido fácil. Só quem fez ou faz faculdade sabe como é. Chega um momento que a gente não aguenta mais e quer chutar o balde. E é aí que lembramos que não é bem assim.

    Uma xícara de chá e um dia de folga podem ajudar a melhorar.

    Só queria deixar um recadinho pra mim e para quem mais estiver pensando em desistir: você já caminhou tanto, agora falta tão pouco... desistir pra que? Se tem alguém que pode te apoiar nessa caminhada é você mesma. É difícil, ok. Só você sabe a luta que trava todos os dias para conseguir ir em busca dos seus objetivos. Ache um ponto e vá de encontro a ele. Acredite em você e continue buscando forças. Se tiver que desistir, lembre-se que isso não é sinônimo de fracasso. Só quer dizer que você está procurando algo que te deixe melhor. Então, nunca esqueça que seu bem estar vem antes de qualquer coisa, tá? ♥

    3 comentários:

    1. Me identifiquei tanto com seu texto que parece até que foi eu quem escrevi. Já quis ser tantas coisas até que decidi ser professora como a minha mãe por adorar a forma como a via se dedicar e como era feliz com isso. Hoje, já quero jogar tudo pro alto e desistir. Já deveria estar formada, estagiei e meu coração não bate forte pela área, tanto que não consigo desencalhar de onde estou. Já me encontrei. Sei o que quero pra vida. Finalmente sei qual área quero seguir mas para isso tenho que terminar Pedagogia que parece mais a minha sina. Espero conseguir rs
      Gostei muito do seu post. <3

      Beijo,
      "Madame Poison"

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    2. Oi Rê, tudo bem? A vida adulta realmente vem acompanhada de várias responsabilidades, algumas delas mais exigentes que outras, mas igualmente necessárias. Com relação a faculdade concordo com você, é uma rotina desgastante, ainda mais morando em outra cidade. Mas crescer é isso lutar pelos nossos sonhos, traçar metas, e tentar fazer as coisas da melhor maneira que conseguirmos. As vezes também me sinto cansada penso em largar tudo, mudar de cidade, conhecer pessoas novas, mas aí percebo que é somente a pressão. Tomar um banho, ler um livro, ouvir música, as coisas voltam ao normal e podemos seguir em frente. Beijos, Érika =^.^=

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    3. cara, eu demorei 8 anos pra me formar porque no terceiro ano (mais ou menos no 5º semestre, que nem você), eu desanimei completamente.

      acho que o que acontece é que, além de a gente ter que escolher faculdade e profissão muito cedo e sem nenhuma noção da vida, a gente tem uma ilusão de que a faculdade será tudo que a gente quer. nada mais de matérias chatas da escola, de mãe pegando no pé, de viver aquela rotina que não foi a gente que escolheu. a impressão que eu tive foi de cair na real que até quando a gente escolhe o bagulho que a gente vai estudar, não significa que gostaremos de estudar todos os aspectos dele dentro do currículo universitario. meu sonho era fazer letras desde os 14 anos, e quando percebi que o sonho era bem diferente da realidade, não cai só a ficha da vida adulta, não, cai o orelhão inteiro.

      a rotina da facool é desgastante, é chata, também tem cobrança (que as vezes passa a ser de nós mesmos, o que pode ser ainda pior. aquela cobrança de COMO EU POSSO NÃO ESTAR GOSTANDO DISSO QUE EU MESMA ESCOLHI PRA MIM é bem conflitante), e a gente descobre que aquele universo que pensávamos amar não é bem a idealização que pintamos antes de começarmos a estudar.

      mas acho que tudo na vida é assim, né? tô feliz que agora, com quase 30 anos, estou finalmente me contentando com os rumos que minha vida está tomando, tanto em relação à minha carreira em educação quanto à minha vontade de ser "escritora" e "jornalista" (fui fazer letras achando que ia conseguir escrever em revistas magnificas de moda, a mesma ilusão que você teve com diabo veste prada eu também tive. por que nos filmes as pessoas tem essas oportunidades incríveis que nem sequer querem????). aprendi que pra escrever sobre o que eu quero e do jeito que eu quero, o lance era me lançar sozinha no mundo - e graças a deus vivemos numa época em que podemos utilizar as ferramentas da internet pra construirmos carreiras. mas agora tô aí, torcendo pra dar certo! por que pode dar tudo errado e eu ter que voltar a dar mais de 30 horas de aula por semana, né?

      tudo isso pra dizer: dá a mão, estamos juntas, e as vezes piora, as vezes melhora, as vezes parece que era melhor não ter nascido, mas o que importa é conseguir, como você, articular o que a gente pensa e o que a gente vê. acho isso o mais importante, e a maioria das pessoas não consegue, então você já um passinho a frente!

      falei demais e nao acentuei nem pontuei direito, sorry!

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