acompanhe nas redes

  • dezembro 01, 2017

    Diário #5: Aprendizados

    Minha mãe diz que cada um que passa na nossa vida tem uma missão. Acredito muito nisso! Cada um fica com a gente o tempo necessário pra gente aprender alguma coisa e quando o universo acha que já deu a gente vai se afastando, perdendo o contato... Daí ficam as fotos, as memórias do facebook, os vídeos engraçados, as conversas e os áudios do whatsapp e as lembranças da nossa caixinha interna pra não fazer a gente esquecer nunca que aquela pessoa foi importante e que sem ela a gente não é o que é hoje.

    imagem: tumblr
    Gosto de pensar assim tanto para as pessoas que se vão, como para as oportunidades que aparecem, como para os ciclos que frequentemente se iniciam ou encerram. Acredito muito em destino. A gente vive o que já está programado para a gente viver e ponto. E, como num episódio de Black Mirror, as vezes algumas amizades têm time certo pra durar. Umas podem duram lindos seis anos, outras longos e felizes doze, e ainda tem aquelas que permanecem e nos acompanham no decorrer da vida. Mesmo com isso tudo, todo dia é uma oportunidade de se tornar amigo de alguém. Isso que é maravilhoso!

    Um dia, fiz uma carta para uma ex melhor amiga que foi muito importante pra mim. Tem muitas outras pessoas que quero escrever uma carta dessas, claro. Porém não é sempre que estamos com tanto sentimento a flor da pele para escrever sobre alguém querido.

    Nós não lidamos bem com partidas. A gente sabe, desde o princípio, que estamos sujeitos a isso a todo o tempo e mesmo assim nunca sabemos lidar. Não estou me referindo exatamente ao óbito de alguém, mas sim dos ciclos que se encerram dia após dia. Das amizades que vão se tornando estranhas, dos relacionamentos que vão esfriando feito café... Enfim.

    Hoje não é bem uma carta que escrevo... É mais para um desabafo em forma de agradecimento por todas as estrelas que já passaram pela minha vida. Tenho plena consciência de que cada um que eu convivi ao longo desses meus 21 anos foram importantes para o meu aprendizado, amadurecimento e crescimento de um modo geral. Da minha querida professora Izabel que me ensinou a ler e escrever ao motorista do ônibus que me dá bom dia sempre sorridente às 06 da manhã.

    Obrigada, universo, por cada um. Obrigada por me ensinar a valorizar as relações interpessoais. Somos seres egoístas e ansiosos, queremos tudo para a última hora e se possível, chamando atenção de todos. Então, obrigada por me ensinar a conviver com diferentes pessoas, por me fazer entender que a gente é diferente e que empatia é a chave que faz isso tudo dar certo.
    outubro 14, 2017

    Diário #4: Convivendo com Ansiedade

    Quero voltar a ser aquela menina que acorda feliz pelo simples fato de ter mais uma oportunidade de viver. Quero voltar a ter o brilho nos olhos todos os dias ao falar da minha profissão. Quero voltar a ser a menina que sonha em trabalhar em revistas e faz de um tudo para chegar lá. Quero voltar a ser feliz com simples gestos: um bilhetinho da mamãe no guardanapo, um recadinho carinhoso do namorado no espelho, o sorriso espontâneo dos que eu amo, terminar o fichamento daquela matéria difícil, assistir a um episódio da minha série favorita, tomar um sorvete depois do expediente, escrever.
    Convivendo com Ansiedade
    imagem: tumblr

    Não tenho vivido dias fáceis. A propósito, diria que tem sido dias complicados. Uma tal de ansiedade se instalou no meu ser a algum tempo e de uns meses para cá tem me trazido inúmeros contratempos. Tarefas comuns que antes eu realizava com naturalidade, hoje em dia tem sido dolorosas, longas e em determinados casos até me causam um tipo de dor física. Há quem diga que é tudo frescura, coisa da minha cabeça, falta do que fazer ou que estou querendo chamar atenção. Antes fosse, viu?

    O mal do século me pegou de jeito e tenho travado uma batalha diária a fim de vencê-lo. No entanto, posso afirmar com dor no coração que há momentos em que não me reconheço mais. Não sei mais o que é sentar no computador, abrir o word e jogar meus sentimentos sem que eles se pareçam confusos, errados, expostos demais, ou, sem que eu fique me preocupando demais com o que vão pensar caso leiam – pior ainda é imaginar alguém vindo falar comigo sobre isso, vergonha total!

    Tem dias que faço de tudo um pouco e tudo flui naturalmente. Através de exercícios de respiração consigo me controlar, fazer todas as atividades propostas para o dia e as vezes inclusive adianto algumas do dia seguinte. Noutros, é torturante. Posso tentar a meditação que for, nada funciona. Nem a meditação mais forte, nem a adoração mais emocionante conseguem tranquilizar minha mente. O corpo trava, o ouvido se fecha, a mente não para um momento, uma mistura dos sentimentos de medo, solidão, angústia se forma e os olhos só se fazem chorar.

    Tive que pedir ajuda. Não é normal viver uma rotina assim. Ainda que eu saiba que o sol sempre vem pela manhã, não é saudável nem aceitável viver numa situação dessas. Ora, quem em sã consciência acharia normal viver numa espécie de montanha-russa? Um misto de sentimentos definitivamente horríveis que certamente eu não desejo a ninguém. E posso dizer que, mesmo em pouco tempo de terapia, já tenho visto algum resultado. Claro que nada exorbitante, mas só de ter alguém que te escuta e não te julga, que entende que você pode sim ter uma patologia é mágico. Acho que todo mundo deveria fazer terapia. Tanto quem precisa de ajuda como quem tem a mente no lugar. É transformador.

    Mesmo no princípio do tratamento, dando ainda inúmeros passeios nessa montanha-russa que é a minha vida, hoje eu tenho consciência de que só assim conseguirei melhorar deste quadro. Mesmo que com toda a ajuda de família, amigos e até a própria ajuda, sem um profissional do meu lado para somar, eu não conseguiria, de fato, me recuperar. Esse apoio é muito importante! Precisei reconhecer e aceitar que sozinha não ia conseguir e fui em busca de ajuda. E que bom, sabe? Que bom que eu consegui fazer uma coisa por mim, isso já me orgulha muito.

    Espero daqui a algum tempo trazer mais relatos felizes. Contar e desmistificar um pouco esses transtornos psicológicos que são tão banalizados e ridicularizados por aí. Todo mundo tem uma dor, a gente só precisa respeitar cada um. Gentileza gera gentileza, lembra?

    Caso conheça alguém que está passando por uma situação dessas, não desampare-a. Dê a mão! Mostre que ela não está sozinha, indique que procure ajuda profissional. Só quem sofre de transtornos psicológicos, seja ele qual for, sabe a dor que é enfrentar isso tudo sozinho. A gente se cobra demais, mais que o normal, e isso só nos prejudica. Não abandona não, tá? Ter alguém pra conversar importa muito!
    outubro 01, 2017

    Para Sempre Alice

    Quem nunca se pegou num momento de confusão mental e emocional e buscou conforto em algum filme? Eu não sei vocês, mas sempre que estou meio pra baixo e não quero ficar assim procuro algo para assistir que vá me trazer algum aprendizado ou que no mínimo vá me proporcionar reflexão suficiente para que eu entenda um pouco do que acontece internamente.
    imagem/reprodução

    Para Sempre Alice é um filme delicado, sério e de tirar o fôlego. Alice Howland é uma professora de linguística feliz pelo que conseguiu construir, tanto na carreira como em âmbito pessoal. Porém, aos cinquenta anos recebe diagnóstico inesperado de Alzhaimer precoce, que faz com que algumas coisas comecem a mudar na sua vida.

    Esquecer de coisas, compromissos, lugares, pessoas e principalmente de todas as suas memórias é um processo muito doloroso. Palavras e todas a comunicação que eram tão importantes na vida de Alice – que é a base de tudo o que ela construiu na sua carreira – começam a falhar e ela se vê perdida, literalmente, em meio a sua vida. Podemos dizer que aos poucos, a protagonista vê sua vida se desmontando.

    O longa, basicamente relata a evolução da doença e como ela pode afetar não apenas quem é portador mas toda a família e quem convive ao redor. Trás uma reflexão importante sobre o quão pequenos somos em relação aos nossos problemas cotidianos. Muitas vezes insistimos em ver tudo com uma lente de aumento quando na verdade deveríamos olhá-los de cima, afinal, grandes somos nós que podemos detê-los ou resolvê-los.

    Estamos diariamente expostos a vida cotidiana e obviamente contratempos surgirão e com eles, talvez, coisas que não esperamos. A menos que este contratempo seja uma doença progressiva e sem cura, a gente é capaz de consertar e resolver tudo. Tudinho mesmo! Não faça dos seus problemas maiores do que eles de fatos são.

    Acho que a mensagem que o filme tenta passar, além de alertar o quão rápido pode ser a evolução dessa enfermidade, é que nós não somos tão pequenos quando pensamos ser. Viva cada momento e dê o seu melhor. A mensagem de hoje era essa.